28
Set 08

 

 

 ''Eu que conheço a Samardã, desde os meus onze anos.

Está situada na província transmomtana, entre as serras do

Mesio e do Alvão. Nas noites nevadas, as alcateias dos

lobos descem à aldeia e cevam a sua fome nos rebanhos,

se vingam descancelar as portas dos currais; à míngua de

ovelhas, comem um burro vadio ou dois, consoante a

necessidade. Se não topam alimária, uivam lugubremente,

e embrenham-se nas gargantas da serra, iludindo a fome

com raposas ou gatos bravos marasmados pelo frio. Foi

ali que eu me familiarizei com as bestas-feras; ainda

assim, topei-as depois, cá em baixo, nos matagais das

cidades, tais e tantas que me eriçaram os cabelos....''

 

                                                   Camilo Castelo Branco

                                                    In Novelas do Minho

                                                    'O Degredado'

publicado por jarcosta às 14:19

Vilarinha da Samardã 

 

 

''... Este conto veio a propósito da Samardã, que distava um quarto de légua da aldeia onde

passei os primeiros e únicos felizes anos da minha mocidade..''

 

                                                                                Camilo Castelo Branco

                                                                                In Novelas do Minho - O Degredado

 

publicado por jarcosta às 13:31

14
Set 08

 

 

'' Meu querido amigo.

 

Revalido, por esta carta, o que lhe propuz com referência ao meu cadaver

e ao seu jazigo no cemiterio da Lapa.

 

Desejo ser ali sepultado e que nenhuma força ou consideração o demova

de me conservar as cinzas perpetuamente em sua capella.

 

É natural que ninguem lhe dispute a posse d'essas cinzas; receio, porem,

que seja ainda uma fatalidade posthuma que se compraza em impor a

violencia até aos meus restos.

 

Dê o meu amigo a estas linhas a validade de uma clausula testamentaria,e,

sendo preciso, faça que ella valha em juizo.

 

Abraça-o com extremado affecto e inexprimivel gratidão o seu

 

Porto, 6 d'Abril de 1888

 

                                                           Camillo Castello Branco ''

publicado por jarcosta às 22:53

 

"... Chegou Gonçalo de Malafaya, no remate deste episódio.

 

Viu sua prima, e reparou logo numa verruga que ela tinha a um canto da

boca, e no desaire que lhe dava aos beiços. Achou-a mal ajeitada de

corpo, desgraciosa nos meneios, rústica nas palavras, e com manifestas

tendências a medrar muito em largura, e a não espigar mais. Assim

devera ser.. Se ele vinha afeito às gentilezas das damas da corte, daquelas

tantas que ele amara, todas bem falantes, discretas, esbeltas, apertadas

de cinta, arrastando soberanos donaires com muito garbo, dizendo tudo

como quem canta, estendendo aqueles gemebundos ''ans'', como

cauda das palavras, jeito tão antigo em Lisboa que já, em 1650, D. Francisco

Manuel faz riso dessas modulações esquisitas, de que o nosso fidalgo

portuense tinha tantas saudades! Em suma, Gonçalo não gostou da prima..."

 

 

                                                                           Camilo Castelo Branco

                                                                            In 'Estrelas Funestas'

 

publicado por jarcosta às 22:22

 

 

Escrito de Camilo Castelo Branco encontrado numa

lápide no Cemitério Municipal nr 1 de Matosinhos

publicado por jarcosta às 21:24

 

 

'A Pedra'

 

In 'Camilo em San Miguel de Seide'

Veloso d'Araújo - 1925

 

'... Junto ao portão, ao lado esquerdo de quem entra, está

a MEMÓRIA que D. Ana Plácido mandou erigir para come-

morar a visita do mavioso poeta António Feliciano de

Castilho e outros homens de letras... 

 

Essa MEMÓRIA, a que Camilo simplesmente chamava, A

PEDRA, quando a ela se referia, fica num recanto do muro,

num sítio ensombrado por dois Juníperos, uma Camélia

e um Louro'' 

 

publicado por jarcosta às 20:28

 

 

Camilo Castelo Branco

In Amor de Salvação

 

 

''.. á margem do córrego chamado Péle, riacho que, pela

 

primeira vez, é revelado ao mundo em letra redonda, assentei

 

eu a minha tenda nomada.

 

...

 

A casa onde vivo, rodeiam-na pinhaes gementes, que sob

 

qualquer lufada desferem suas harpas.''

publicado por jarcosta às 20:17

Casa-Camilo em S. Miguel de Ceide 

 

Casa Camilo - S. Miguel de Ceide

 

In Camilo em San Miguel de Seide

De Veloso d'Araújo - 1925

 

'' ... A casa é uma confortável habitação de campo, com muitas janelas abertas

a todos os ventos, com horizontes se não largos e grandiosos contudo belos

e atraentes.

 

No rés-do-chão, onde outrora estavam a adega e as cortes do gado, está

agora uma escola infantil, sob a invocação do Mestre.

 

Feliz ideia esta.

 

...

 

No interior da casa desconfortávelmente mobilada, alguns nos antigos lugares,

está um grande número de objectos, móveis, livros, cartas, etc., que pertence-

ram a Camilo e Ana Plácido, além de outros, que lhes foram estranhos, entre

as quais avulta a magnífica camiliana que pertenceu ao Dr Arzila da Fonseca,

que foi lente da Universidade de Coimbra. ''

 

publicado por jarcosta às 14:21

 

 

Busto de Camilo Castelo Branco junto à Casa Museu em

S.Miguel de Ceide - Vila Nova de Famalicão

publicado por jarcosta às 14:13

 

 

Agustina Bessa-Luís

In Camilo - Génio e Figura

 

'Quando o coração me falha neste dialecto de escrever livros, volto-me

para Camilo, que é sempre rei mesmo em terra de ciclopes. Volto a

folhear O Romance de Camilo, de Aquilino Ribeiro, obra de muita

substância e conhecimento.'

 

 

''... Ele era o que todos nós sabemos, um Voltaire à moda do Porto, com

mais tripas do que carne do lombo. Eu cá, parece-me bem assim. É um

monstro a retalho, o que  produz grandes obras.''

publicado por jarcosta às 01:44

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