11
Set 10

 

"Chuva.Bátegas de água que parecem cargas de cavalaria.Quem se arrisca

a pôr o pé fora da porta, atravessa a rua com a velocidade dos relâmpagos.

Do lado de dentro das casas, dos automóveis e dos eléctricos, a humanida-

de separa-se da natureza por vidraças ...

Heróico, sereno, plantado no jardim como um arbusto flexível mas persisten-

te, o busto de António Nobre. E a penosa visão do poeta imortalizado,

deu-me para pensar... na desgraça das estátuas. É que são realmente

desgraçadas !Pelo menos as daqueles que em vida as mereceram de verda-

de.Ainda hoje me arrepio, só de recordar a visita que fiz, num dia de remoto

Inverno, a um Camilo (Castelo Branco)monumentalizado no Porto. Debaixo

de um céu negro e pesado, a escorrer água e solidão, a sua máscara de

azebre era a imagem dum condenado a penas eternas. O angustiado de

Seide, enquanto vivo, tinha ao menos um filho doido, os livros e o génio

para aquecer o coração. Mas aquele Camilo de forma, esquecido e desabri-

gado, não tinha nada. Nem sequer o calor sd próprias veias!

 

"É claro que nunca passou pela cabeça de nenhuma patriótica edilidade, de

nenhum indefectível admirador, esta ideia: que talvez se esteja ali, no

próprio acto de inauguração do bronze, a arredondar a coroa de espinhos

com que em vida já se crucificou o Homem que se glorifica. É que... Mas que

trágico destino ficar numa praça a apanhar vento e chuva até à consumação

dos séculos! Era bom estar estar ali,era. Havia de ser, porém acompanhado

de uma saudade verdadeira. Duma lembrança quente, perene, constante,

que fosse como uma seiva a correr entre a vida e a morte. Mas qual o quê!

Entre nós, uma estátua significa apenas o chumbo que não se pôs no esqui-

fe. E por isso é que não conheço um sequer dos infelizes embalsamados em

metal que há por aí que se sinta bem na sua mortalha póstuma.

 

É claro que também há sujeitos de pedestal, alegres,felizes, com ar de quem

vigarizou a posteridade. Desses, porém, nem vale a pena falar: apenas

continuam na morte a triste comédia que representaram na vida ... "

 

 

                                                  Miguel Torga

                                                  Diário

                                                  Coimbra, 12 de Dezembro de 1942

publicado por jarcosta às 16:10

13
Set 09

 

'' ... E eu segui desiludido para Seide, ao encontro duma figuração autêntica, que fora um nume indiscutível na Samardã.

 

Camilo! Amamentado por dois seios de pedra, o Alvão e o Mezio, filho adoptivo dum

Marão escalvado, viera refugiar-se entre ramadas. Mas deixara estampada nos livros,

viva, indelével, a imagem saudosa dos torturados horizontes da infância. E as

Novelas do Minho, em vez dum pacífico enlevo à sombra dos arvoredos, pastoris

cenas de amor a prefaciar as do litógrafo Júlio Dinis, rangem como turbulentas

paixões entre o céu e a terra, nuas e ossudas. As verduras da mocidade com Ana

Plácido acabaram numa secura de fraga.

 

Encontrei o espectro do romancista ainda mais trágico do que o deixara da última

vez. O tempo afundara-lhe a marca das bexigas, aumentara-lhe a cegueira,

agravara-lhe a loucura. Era um prisioneiro revoltado num jardim de avencas. Percorreu

a meu lado, sinistramente, cada compartimento da casa, reviu os desenhos do

filho doido, anatematizou a lápis, numa das estantes, um volume d'A Reliquía,

acompanhou-me ao patamar da escada, e esgalhou um rebento serôdio e

agoirento da acácia do Jorge. Já nem o viço daquela lembrança podia tolerar! ..."

 

                                                                  In Portugal

                                                                  Miguel Torga

publicado por jarcosta às 19:57

11
Abr 09

 

    Numa aldeia chamada Verdemilho, a uma légua de Aveiro, vivia em 1738 um

ancião, reputado justo porque à volta da sua casa, colmada e desguarnecida da

mais trivial mediania, se ajuntavam os pobres da freguesia, em dias determi-

nados, e recebiam esmolas que lhes bastavam à alimentação parca da semana.

Chamavam ao incógnito o 'velho da ermida' porque, ao lado da choupana dele,

estava uma capela. Os pobres, favorecidos deste homem, paravam ao cair da

tarde nas vizinhanças da ermida, para o verem sentado no teso de um outeirinho,

com os olhos enlevados no transmontar do sol; e, se o viam passar a mão por

eles como quem enxuga lágrimas, diziam entre si:

 

   'Um homem que dá tanto aos pobres e chora!...'

Em 1739 saiu ele caminho de Aveiro, pela primeira vez. Os pobres seguiram-no,

e disseram-lhe:

 

    - Não voltais mais aqui, nosso benfeitor?

 

    - Voltarei, filhos. À noite serei convosco.

 

    E caminhava a pé, abordoado num cajado que lhe dera um dos seus pobres.

 

    Chegado a Aveiro, entrou na igreja de S. Bernardino, acantou-se no mais escuro

dela e assistiu aos responsórios da segunda filha de Brás Luís de Abreu, a qual

estava sobre a essa.

 

    Saiu, parou à porta do pai da defunta, subiu, entrou à saleta em que ele recebia

os pêsames, apertou-o nos braços e disse-lhe:

 

     - Dá-me a vida das três filhas que te restam, e vem tu com elas.

 

     O padre derramou copiosas lágrimas, e não respondeu.

 

     Voltou Francisco Luís à sua cabana da ermida, e os pobres, ao outro dia, confluíram

das suas aldeias a dar-lhe as boas-vindas.

 

      Em 1740 fez o hebreu a mesma caminhada, entrou na mesma igreja onde se

rezavam responsos, na mesma saleta onde chorava um velho, e disse-lhe:

 

      - Dá-me a vida das duas filhas que te restam, e vem tu com elas. Rasga-lhes as

mortalhas, antes que o coveiro as esconda, e o sino dobre por elas.

 

      O padre chorou muito, inclinado ao peito do velho, e não respondeu.

 

      Voltou o caminheiro à sua cabana, e os pobres olharam-no com muita amargura,

porque a sombra dele era como de arejo vindo da região dos sepulcros.

 

      Uma tarde, não longe daquele dia em que se finara a quarta professa de

S. Bernardino, apareceu em Verdemilho o padre Brás Luís, atirou-se esbofado aos

braços do hebreu, e disse-lhe:

 

      - Dê-me as minhas filhas!

 

      - Pede-mas a mim?! É a Deus que as deve pedir... ao seu Deus, que ressuscitou

muitas ...

 

     - Não peço as mortas; quero as vivas.

 

     - Que sei eu das vivas? Esperava que morresse uma para lhe pedir a última..

 

     - Pois minhas filhas não estão aqui? - exclamou Brás Luís de Abreu.

 

     - Aqui?! não vê que toda a minha casa é esta cabana?

 

     -  Meu Deus - bradou o padre.

 

    - Que é de suas filhas? - acudiu o hebreu

 

    - Fugiram! perderam-se!...

 

    - Salvar-se-iam? Encaminhá-las-ia qualquer providência que eu desconheço?

 

    - Roubaram-mas!

 

    E o padre, guardando silêncio por alguns minutos, continuou com intermitentes

de gemidos e ânsias ofegantes:

 

    Perdia-as... e perderam-se!... Pois que nome tem isto se não é prostituição?...

A justiça lançará mão delas... e deles...

 

    - Deles quem? - atalhou o israelita.

 

    - De relance os vi: eram militares, vinham de Coimbra a Aveiro, hospedavam-se

nas mais nobres casas, e minhas filhas sabiam da existência destes homens...

...

 

 

 

                                                                              in O Olho de Vidro

                                                                           Camilo Castelo Branco

publicado por jarcosta às 19:56

 

 

      O amor dá-se mal nas casas ameaçadas de pobreza. É como os ratos que pressentem

as ruínas dos pardieiros em que moram, e retiram-se. A comparação é por demais plebeia em matérias tão afidalgadas como são estas do coração: todavia, imolemos a polidez à verdade.

 

      O amor é de condição mui desprendida dumas baixezas que nós raramente chamamos

almoço, jantar, ceia, aconchego, comodidades, e guarda-roupa abundante. Assim que ele

dá tento de que o seu vizinho, chamado espírito, cogita distraído naquelas coisas vulgares,

começa a enfastiar-se, a franzir o sobrolho, a estorcer-se a ver por onde há-de fugir.

O amor quer o monopólio das faculdades da alma. Se o intelecto o desdenha para se exercitar em estudos graves, o caprichoso arrufa-se, e vinga-se dos sábios fugindo para

os corações dos tolos, que, tal qual vez, se senhoreiam dos espíritos das mulheres dos sábios, desastr de que o sapientíssimo Marco Aurélio se queixava numa carta à sua muito desonesta mulher Faustina. Cito um imperador para consolação da gente meã, ignorante dos iminentes camaradas de infortúnio, que a história lhe oferece.

 

      Quando este despeito se dá com as inteligências absorvidas pela paixão do saber,

que fará com os ânimos preocupados do prosaísmo da receita e despesa?

 

      Está este lameiral chamado terra infamado de misérias que fazem chorar. Mulheres

sem honra nem pão; criancinhas sem mãe nem cama; homens sem coração nem

remorsos; lajes salpicadas de sangue de desesperados que se matam; bancas de

anfiteatros cobertas de cabeças separadas dos troncos; hospitais que sorvem

podridão e revessam cadáveres. A gente vê isto, e passa. Não se inquirem causas.

A filosofia viu tudo, e disse 'corrupção congenial da humanidade'. A religião viu tudo, e

disse: 'Caridade e misericórdia'. Os poetas viram e disseram : 'Manon Lescaut, Cláudio

Gueux, Margarida Gauthier' ...

 

 

                                                                                          In 'A Sereia'

                                                                                          Camilo Castelo Branco

 

publicado por jarcosta às 17:12

25
Out 08

 

' O título da Obra, Narcóticos, não quer dizer que ela seja um

extracto de papoilas ou essência de morfina. Se a obra é

essência de alguma coisa é da modéstia do Autor. Essência

de modéstia. Por ele saber que a sua obra é excitante e es-

candecente chamou-lhe Narcóticos. Admirável e tocante! É

o mesmo que chamar 'linimento de sabão com ópio'' à tintura

de iodo e ´´clister de linhaça'' a uma injecção de petróleo, e

aos beliscões ''beijos''! A modéstia acrisolada tem estas

aberrações metafóricas. Chamar-se um sujeito a si

''soporífero'', quando toda a gente, depois de o ler, bebe

láudano de Sdenham para dormir e anestesiar-se é um pre-

dicado raro que só frisa bem com as reputações constituídas,

invulneráveis, argamassadas. Mas, acima da modéstia própria,

o Autor põe a higiene alheia. Por consequência, com um pé

na modéstia e a mão entre o estômago e o fígado - no orgão da

consciência -, o Autor avisa os seus leitores incautos e amigos

que quem quiser dormir não abra estes livros. É melhor não os

abrir, se já sente abrir-se-lhe a boca no fim do Prefácio'

 

                               São Miguel de Ceide, Setembro de 1882

 

publicado por jarcosta às 21:54

20
Out 08

 

 

 

"... o nome de Camilo Castelo Branco representará para

sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o

mais característico, o mais glorioso documento da acti-

vidade artística peculiar da nossa raça, porque ele é,

sem dúvida alguma, entre todos os escritores do nos-

so século, o mais genuínamente peninsular, o mais

tìpicamente português."

publicado por jarcosta às 00:44

19
Out 08

 

" Há muitos anos que eu ouço falar na associação de escritores,

denominada elogio mútuo.

Constava nas províncias do norte, que, nesta Lisboa, viveiro e alcáçar

dos potentados da inteligência, alguns escritores se haviam acama-

rado, e estatuído que uns aos outros se elogiariam de modo que, fora

do seu círculo, nenhum talento pudesse vingar, e nenhum talento pudes-

se vingar, e nenhuma imprensa desse notícia dele ao mundo. Entre os

confrades desta associação do panegírico, citava-se o teu nome,

Ernesto Biester, como um dos mais observantes e impecavéis sócios

do elogio mútuo.

 

Este pacto, censurado acrimoniosamente pelos escritores provincianos,

a mim não me pareceu bom nem mau. A gente, que eu via louvada e

encarecida nas tuas revistas literárias, merecia sê-lo; a outra, que tu

não encarecias nem barateavas, também eu a não conhecia. Pode

ser que tivesses muita razão e muita caridade em a deixar no

tinteiro. Eu também lá fiquei, e mais nove volumes que tinha publicado,

quando tu, há anos, deste a lume uma Viagem pela literatura contem-

porânea. Não me queixei, nem me doí. Dei uma satisfação à minha

vaidade, dizendo-lhe que nenhum escritor lisbonense achava praticá-

vel o absurdo de haver homem no Porto, ou do Porto, que escrevesse

livros legíveis, e demais a mais, louváveis. Acreditava aqui ninguém

que lá, daquelas serras do norte, pudesse vir coisa boa, a não ser vinho

e presuntos? O Porto havia mandado a Lisboa mais alguma coisa,

assim uma coisa insignificante como a liberdade; mas essa fora

uma dádiva atirada, por sobre toda a monarquia, com pulso de ferro;

e pulso de ferro é ideia muito material, quase a antítese de adelga-

çamento de intelecto.... "

 

 

                                                        Camilo Castelo Branco

                                                         In Esboços de Apreciações Literárias

publicado por jarcosta às 23:57

 

'' Primeiro que o homem chegue ao estado de déspota, tem de lutar com as repugâncias

da consciência, e sufocar-lhe as vozes, que proclamam os direitos do indivíduo. O despotis-

mo não tem direitos: - tem a força bruta; e mal daquele que não pode contrapor-lhe o

ferro com o ferro, o cacete com o cacete, e o sentimento brutal com a degradação do

raciocínio. Depois que o vislumbre de humanidade se apagou no coração, quebrados

estão os vínculos sociais, e rotos os laços de parentesco com os outros homens: - a

sensibilidade torna-se de ferro, o semblante de horror, e de afronta as vozes, o ar, as

ideias, e o nome.Ninguém há que não sinta a aspereza do despotismo, ao riçar-se por

esse cadáver despojado de moralidades, de impressoes dolorosas, e de consciência do bem: - aí não há mais que vitupérios, calúnias, e um fragamento do mundo irracional, que nos ensina a conhecer as galas da razão.

 

Pode ser déspota o mendigo, porque o é o salteador; pode sê-lo o pastor entre seus

companheiros, porque o é o irmão entre os seus irmãos; mas o mandatário do poder -

o agente da autoridade, quando o seja, é três vezes terrível, infesto, e contagioso na so-

ciedade. Posto que a razão de nobre se confrage, e torce, quando tem de luzir nas trevas,

que alimentam o homem ruim para os outros; posto que as vozes do ofendido morrem

à porta do ofensor, como vagido de criança por entre o alarme de uma turba que se dila-

cera, a minha queixa seja esse vagido, a minha razão, torça-se com a justiça, e não

passem estas palavras de um devaneio para mim, e de objecto de escárnio para a

pessoa de quem elas pendem.

 

Eu devia ter consultado os fastos do despotismo para me convencer, que, tarde ou cedo,

seria vítima do sr José Cabral, governador civil de Vila Real. Devia recordar-me que me

tinha chegado à bandeira dos livres, para temer o ferrete de escravo, e o maior peso

da opressão...

 

Todavia, não sei que pressentimento me traiu! Vi ofendidos vil e despoticamente os

meus cúmplices em opinião, e uma vez pungido pela mágoa deles, bradei ao opressor

Quosuqe tandem Catilina!... Este pensamento que se achava traduzido de uma única

correspondência minha, impressa no Nacional, bastante foi para que o dedo de S.

Exa me apontasse a sepultura, e os seus orgãos procurassem um cadáver para ela!

 

Da porta do governador civil no dia 17 do corrente, pelas 10 horas da manhã, saiu um

homem armado de cacete: espancou-me, deitou-me por terra,e, recolhido outra vez

à casa donde saíra, apareceu com uma espingarda e com um desgarre insultuoso,

à porta de S. Exa. Entregue às mãos do assassino, ainda agora tremo da posição

em que estive, quando sei evidentemente que José Cabral tinha dito ao caceteiro:

- mata-o!

E porquê? José cabral confessa que à sua ordem fui eu espancado, e dá a razão

deste delito, porque eu lhe não tirara o chapéu, tendo-o visto à sua janela.

 

Risum teneatis, amici?

 

Há casos que o requinte da desvergonha chega a tal ponto, que as considerações

sobre os seus actos se turvam e confundem na inteligência de quem as medita!!!

Pois S. Exa mandar espancar um homem, porque lhe não tira o chapéu! José Cabral

arroga-se o direito de senhorio de Veneza em terra que o conhece, e a um indivíduo,

que jamais lhe explora os escaninhos dos seus brazões, inda no caos, e as fases da

sua vida? porventura devo culto ao déspota, porque vejo um cacete, que pode es-

pancar-me? Como autoridade, que direito tem sobre o meu chapéu?! (Carta

Constitucional. Artigo 145 parag. 1º) ''Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer

senão aquilo que a lei manda." E a lei não legisla sobre chapéus. Respeito as autori-

dades, e conheço que tenho cumprido este dever quando os negócios de estado me

pedem este ou aquele acto; mas devo por isso descobrir-me, quando, mau grado meu,

encaro o homem que detesto?!

 

E assim vingada foi a susceptibilidade de S. Exa; assim os encarregados pela Soberana

conciliam as opiniões, e deslembram as injúrias; assim novos crimes preparam no-

vas dissensões, se desta arte a liberdade se identifica com as disposições do proto-

colo.

 

Seria bom, porém, que o governador civil de Vila Real entrasse no conhecimento da

seguinte verdade: - Que as nossas injustiças quase sempre são julgadas pelos
homens. "
 
 
                                                                         Camilo Castelo Branco
                                                                          Vila Real, 23 de Agosto de 1847
                                                                          (In Delitos da Mocidade)
publicado por jarcosta às 13:46

28
Set 08

 

 

 ''Eu que conheço a Samardã, desde os meus onze anos.

Está situada na província transmomtana, entre as serras do

Mesio e do Alvão. Nas noites nevadas, as alcateias dos

lobos descem à aldeia e cevam a sua fome nos rebanhos,

se vingam descancelar as portas dos currais; à míngua de

ovelhas, comem um burro vadio ou dois, consoante a

necessidade. Se não topam alimária, uivam lugubremente,

e embrenham-se nas gargantas da serra, iludindo a fome

com raposas ou gatos bravos marasmados pelo frio. Foi

ali que eu me familiarizei com as bestas-feras; ainda

assim, topei-as depois, cá em baixo, nos matagais das

cidades, tais e tantas que me eriçaram os cabelos....''

 

                                                   Camilo Castelo Branco

                                                    In Novelas do Minho

                                                    'O Degredado'

publicado por jarcosta às 14:19

Vilarinha da Samardã 

 

 

''... Este conto veio a propósito da Samardã, que distava um quarto de légua da aldeia onde

passei os primeiros e únicos felizes anos da minha mocidade..''

 

                                                                                Camilo Castelo Branco

                                                                                In Novelas do Minho - O Degredado

 

publicado por jarcosta às 13:31

Novembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
arquivos
2019

2018

2017

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO